Um gosto amargo na boca prevalece quando estamos sofrendo, é como se tudo perdesse o sabor, com digestão não funcionando corretamente e o sistema nervoso não colaborando. Têm horas em que suamos frio e enfraquecemos com a queda de pressão, este conjunto de sintomas indesejáveis não é, de certo, nada agradável. Sofrer é inerente ao ser humano, que habita este mundo para evoluir, mas caminhamos com uma lentidão estonteante para atingir um grau evolutivo que elimine o sofrimento como meio para esta tão almejada evolução. Durante o curso de nossas vidas somos recorrentemente castigados, sejam por doenças, acidentes, perdas materiais ou afetivas, mas, a meu ver, o pior dos castigos é o silêncio. Quando alguém se silencia está renegando totalmente o outro, esta usando uma arma poderosa que impede qualquer aproximação, excluindo definitivamente de seu mundo a pessoa com quem se nega a falar, se recusando a dar e a receber notícias. Nos presídios o castigo máximo é enviar um detento para a “solitária”, lá, isolado do mundo, ele não tem com quem conversar e no silêncio sem fim pode vir a enlouquecer, se permanecer por um longo período de tempo nesta situação de exclusão.
O silêncio é um veneno cruel que não devia ser aplicado nem sobre os nossos piores inimigos, muito menos diante das pessoas que um dia amamos ou que foram amadas por nós.
Quando quiser castigar alguém, esqueça o silêncio, talvez uma simples conversa possa deixar claro que existem outros caminhos para resolução de problemas.
Fernando Christófaro Salgado.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Nossas conexões e suas variáveis

Diariamente temos a oportunidade de nos relacionar com outras pessoas, a menos que fiquemos trancafiados em casa, isto irá invariavelmente ocorrer. Pode ser um simples olhar, um aceno ou um desejo de “bom dia”. Com qualquer um que cruzar nosso caminho podemos estabelecer algum tipo de relação.
Uma maneira fácil de ilustrar isto é quando pegamos o mesmo ônibus, no mesmo horário, todos os dias. O motorista se repete, o trocador está sempre ali e até os passageiros costumam não variar. Com um pouco de observação e análise podemos verificar como varia o humor de cada integrante desta jornada rotineira, rumo a mais um necessário dia de trabalho.
As conexões que temos com estas pessoas são bastante sutis, sabemos que elas existem, podemos até dar falta delas em um dia que não estiverem no ônibus, mas se não firmarmos nenhum tipo de diálogo com elas dificilmente elas irão ter um papel mais relevante em nossas vidas.
Avançando um pouco na questão dos relacionamentos, dependendo da área em que trabalhamos ou da nossa profissão devemos manter contato com colegas que praticam atividades complementares ou integradas as nossas. Somos convidados, vez ou outra, para festas de aniversário, batizados, casamentos, formaturas, enfim, temos uma participação um pouco mais ativa na vida dos que comungam conosco o mesmo ambiente de trabalho. Ainda assim, mesmo estando presentes ativamente em nossa vida profissional e em ocasiões especiais estas pessoas não podem ser consideradas próximas de nós, não há, salvo algumas exceções (claro, elas sempre vão existir), espaço para intimidade. Na hora do aperto, definitivamente, não são elas que irão nos socorrer.
Falemos dos laços consangüíneos, teoricamente eles deveriam representar as nossas mais fortes conexões com outras pessoas, entretanto, nem sempre isto é verdade. Infelizmente, é comum vermos filhos que não conversam com pais, irmãos que olham nem na cara uns dos outros, primos que nem se quer se conhecem ou se encontram de forma tão rara quanto um eclipse solar.
Não menos comuns são famílias felizes e estruturadas, sim, elas existem e são nelas que se firmam a sinceridade, a confiança, a partilha, a união, a verdade, o companheirismo, a preocupação genuína e o amor verdadeiro. Fora deste tipo de família tudo isto raro, mais não deixa de existir na variável de uma relação de amizade capaz de abarcar todas estas qualidades.
Conexões e suas variáveis são assim, podem ser muito ou pouco intensas, mas nunca serão iguais.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Missão cumprida
É sempre difícil quando saímos de um relacionamento que rendeu bons momentos, onde criamos laços de proximidade não somente com a pessoa com quem nos relacionamos, mas também com seus familiares e amigos. Através de uma pessoa somos levados a conhecer novos lugares, novas cidades, parentes que vem de longe, tomamos para nós hábitos que não faziam parte do nosso cotidiano. Aprendemos a compartilhar saudades e ansiar por momentos que não seriam possíveis em outro contexto, como a aproximação de uma festa de aniversário da cunhada ou a chegada daqueles tios que já tomamos como nossos, que adoram tomar todas e dar boas risadas pela noite adentro. Estabelecemos laços de união a partir de afinidades que vão se tornando cada vez mais evidentes, a sintonia vai ficando mais fina e passamos a nos entender exatamente na mesma freqüência com a pessoa amada, o brilho no olhar está sempre presente e tudo do outro é importante, é relevante e necessário. A comunicação é quase que por transmissão de pensamento e tudo parece conspirar para o bem da relação. Entretanto, quando a freqüência começa a oscilar mais do que o normal, começam a aparecer os conflitos. Somos seres humanos e, como tais, estamos completamente suscetíveis a erros, somos defrontados com situações e desafios que não estamos prontos a enfrentar, muitas vezes nos perdemos em nossos próprios problemas e dilemas, que já não são fáceis de administrar, o que dizer dos problemas de outra pessoa. A separação é inegavelmente um momento de perda para ambos. De um lado fica o sentimento de que vivemos uma história que ficou sem fim, fica aquela dúvida de como seria se tudo tivesse dado certo, de como seria o futuro outrora planejado com empolgação. Porém, de outro fica a sensação de dever cumprido, aquela certeza de que a missão que Deus designou, a partir do momento em que colocou no seu caminho aquela pessoa na qual você depositou todo o seu amor, enfim chegou ao fim, mas de um jeito ou de outro você irá sempre fazer parte da história dela. Nem tudo que se torna “ex” está fadado a permanecer no passado, temos muito a aprender sobre nós mesmos e sobre nossas relações com os outros, sobre a extrema importância daqueles que convivem conosco e daqueles que cruzam nossos caminhos durante a vida. Nada é por acaso e, no momento certo, toda a verdade dos propósitos nos será revelada.
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 23 de setembro de 2012
Recomeçar
Sair novamente da estaca zero, dar mais um “primeiro passo”, seguir em frente e olhar pra trás só de soslaio. Não é fácil recomeçar, mas é necessário.
É redundante dizer que para recomeçar é preciso que algo tenha chegado ao fim, e se terminou houve circunstâncias que levaram, irremediavelmente, a este resultado.
Com um vazio instaurado no peito, as lacunas que surgem parecem se destacar na presença de muitas pessoas. São sorrisos, abraços e carinhos, beijos e brilho nos olhos, a cumplicidade compartilhada agora virou passado, passa longe da realidade momentânea. Não chega a ser inveja, o sentimento é muito mais de isolamento, uma solidão que parece se perpetuar mesmo na companhia de quem realmente nos quer bem.
Com isto, nos vemos num tempo de reflexão sobre o que foi e sobre o que será de nossa vida, o que o destino nos reserva, quantas portas, infelizmente, se fecharam e quantas se abrirão, pensamos num futuro sem erros, pelo menos sem os mesmos erros já cometidos, nos prontificamos a tentar fazer diferente e melhor, a tentar ser uma pessoa melhor, deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilo, se sentir bem e transmitir boas vibrações para todos, ter Deus como guia supremo e a fé necessária para não desistir nunca, pois Ele sempre nos dará outra chance.
Fernando Christófaro Salgado.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
A chama e vela
E quando, mais uma vez, a chama se consome por completo? Infelizmente não depende só de nós que ela se mantenha acesa, forte e brilhante por um longo período de tempo ou, quiçá, por toda a vida. Ela pode se apagar a qualquer instante se não for bem protegida e alimentada.
Precisamos pensar que, pode ser que a chama tenha se apagado, mas a vela ainda não chegou ao fim. Para derreter completamente ela demora bastante tempo. E o tempo que ela demora a reacender é o tempo que temos para aprender, refletir, pensar nos erros e acertos que tivemos.
Na estrada da vida alguns tem a felicidade de acender sua vela da paixão por apenas uma vez, construindo, conjuntamente, bases fortes para que sejam mantidos estáveis e inalterados os sentimentos que comungam. Entretanto, o mais comum nos dias de hoje é que as paixões sejam efêmeras.
De certa forma, é meio frustrante quando vemos a chama se apagar. Em um momento se tinha a luz, que trazia também o calor para os nossos corações e, de repente, reina a escuridão e a fumaça escura que transmite, por si só, o sentimento de perda, de poluição daquilo que um dia foi belo.
Quando a chama se apaga ocorre uma ruptura, uma cicatriz se forma, uma ferida se abre, mas uma história não pode ser esquecida, deletada da memória. O que vivemos faz parte de nós, do nosso aprendizado contínuo, tenha sido bom ou ruim.
O bom mesmo seria se pudéssemos todos acender nossas velas apenas uma vez, mas, infelizmente, não é esta a sorte de todos...
Fernando Christófaro Salgado.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Tudo de novo
Uma das piores sensações do mundo é sentir que você falhou. Não cometeu um errinho bobo e inconseqüente, falhou feio meeesmo. Como consolação sempre vem um ou outro metido a sabido e diz que isto faz parte da vida, que é assim mesmo, é errando que se aprende.
Se falhar com os outros é ruim falhar consigo mesmo é pior ainda, principalmente quando você não tem muito claro em sua mente o ponto de partida que desencadeou o descarrilamento dos seus planos futuros.
No filme Contra o Tempo, o personagem de Jake Gyllenhaal é encarregado de voltar no tempo e tentar impedir a explosão de um trem de passageiros nos arredores de Chicago. Ele tem a oportunidade de fazer tudo de novo, partindo sempre do mesmo ponto, com as mesmas pessoas no trem, até descobrir o que estava passando despercebido e avançar rumo a solução pretendida.
Como seria bom se também tivéssemos esta oportunidade, voltar ao passado sempre que precisássemos e alterar algo que não deu certo em nossas vidas, até tudo ficar nos eixos, da maneira como sempre sonhamos.
Felizmente, nem tão metidos são os sabidos, eles têm razão quando tentam nos acalentar. Vivemos situações desagradáveis recorrentemente, pois demoramos a aprender, demoramos a mudar, temos resistência em aceitar as pessoas como elas são e a audácia de tentar moldá-las de acordo com a nossa vontade ou com o nosso entendimento do que é certo ou errado.
É difícil dormir com o gosto amargo da derrota e com o sentimento de incapacidade, de impotência diante do desmoronamento das nossas bases, mas a reconstrução é sempre necessária e nosso futuro, de falhas ou acertos, depende, primordialmente, de nós mesmos.
Fernando Christófaro Salgado.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Quando o futuro se esvai
É certo dizer que nada dura para sempre? Prefiro acreditar que não. Nossos bons pensamentos e sentimentos genuínos alimentam nossa alma e nos acompanham por gerações e gerações. Por maiores que sejam nossos desafios e contratempos, nossos erros, tropeços e decepções, aquilo que aprendemos a duras penas terá um sentido de ser que um dia poderemos compreender.
Estamos realmente amarrados a um destino irrevogável? Novamente, prefiro acreditar que não. Na maioria das vezes podemos escolher qual caminho seguir, mas há situações onde vemos se esvair o futuro que planejamos, seja pelas circunstâncias do momento, ou mesmo pela necessidade de cumprirmos não um destino milimetricamente predefinido, mas apenas algumas etapas imprescindíveis para o nosso crescimento pessoal. Sentir o futuro planejado se esvair é o mesmo sentimento que temos quando tentamos pegar um punhado de areia com as mãos e no final ficam apenas poucos grãos pra contar história.
Todos somos responsáveis por nossas escolhas e decisões, o que ocorre é que muitas vezes as tomados influenciados por pessoas que não nos querem bem, infelizmente estas pessoas são lobos em pele de cordeiros, que em seu íntimo carregam uma inveja desmedida e que, direta ou indiretamente, são responsáveis por alterar os planos futuros de pessoas que talvez nem conheçam e que entretanto fazem parte do convívio de quem estão influenciando negativamente.
O que pensar da frase “Diga com quem tu andas e te direis quem és”? Apesar de cada indivíduo carregar sua personalidade, somos sim influenciados pelas pessoas de nosso convívio, para o bem ou para o mal, em menor ou maior grau. Podemos ser inseridos em um meio onde existem pessoas que nos inspiram confiança e passamos a nos espelhar em algumas de suas atitudes, a freqüentar os mesmos lugares que elas e a curtir as mesmas músicas. Porém, é preciso lembrar que nem sempre afinidade pode se definir como amizade. Pessoas que confundem isto podem ser rotuladas indevidamente pelas companhias que possuem. Uma amizade é construída através de um processo longo, onde a intimidade pode ser compartilhada sem receios e as vitórias, conquistas e a felicidade do outro são comemoradas como se nos fossem próprias.
Somos seres que necessitam se relacionar com outras pessoas e também necessitamos planejar nosso futuro e, certamente, olhando para frente, temos que visualizar quem estará conosco em nossa caminhada. É necessário que as nossas relações estejam bastante enraizadas de forma que nenhuma influência negativa possa vir a desvirtuar o que esperamos alcançar lá na frente.
Fernando Christófaro Salgado
sábado, 12 de novembro de 2011
Os outros
Sim, nunca ache que você está imune a qualquer decepção. Coisas podem dar errado, é normal em nossas vidas que elas dêem, mas descobrir fatos inesperados que envolvem você e pessoas em você tinha total confiança não é o melhor dos mundos.
É estranho pensar que enquanto você está sendo totalmente aberto e sincero com alguma pessoa, procurando entender e aceitar sua situação, que ela esteja escondendo tudo de você, literalmente te enganando, e ainda sofrendo por dentro, desnecessariamente.
A verdade, por mais que tardia, sempre vem à tona. Talvez não surja de imediato, e é melhor que seja assim. Talvez ela surja apenas quando estivermos prontos para recebê-la, mas nem sempre temos essa sorte.
Bem, não podemos culpar completamente os outros. Suas motivações podem não ser de todo criticáveis, mas com sentimentos alheios não devemos brincar. Em situações insustentáveis, onde seu pensamento esteja constantemente distante da pessoa que você se relaciona, o melhor mesmo é se afastar o mais depressa possível para não fomentar a decepção futura.
Por mais que achemos conhecer os outros, por mais que tentemos compreendê-los, nunca estaremos emparelhados com seus sentimentos mais íntimos. Nunca poderemos compartilhar verdadeiramente o que se passa em suas cabeças senão através das palavras proferidas por eles, que podem, ou não, serem acompanhadas de sinceridade.
A confiança se constrói com o tempo, entretanto pode ser destruída mais rápido que um suspiro. O que pode ser pior, ser traído em pensamentos e sonhos ou fisicamente? A resposta é extremamente difícil.
Os outros vão ser sempre os outros, mas você pode e deve dominar o que pensa e o que sente. Você tem a obrigação, ao menos, de ser sincero consigo e não sofrer e nem envolver outras pessoas bem intencionadas na busca por seus objetivos improváveis.
Espere seu momento. Todos têm a sua hora e irão clarear seus pensamentos com as verdades que lhes cabem, só não envolva pessoas desnecessariamente em sua caminhada.
Fernando Christófaro Salgado.
sábado, 17 de setembro de 2011
Basta saber
Existem coisas que ainda não podem ser compreendidas por nós. São diversos questionamentos que não podemos responder. Essa situação, por vezes, nos causa certo desconforto e inquietação. Ansiamos por respostas que nos convençam de que tudo tem um motivo de ser.
Pessoas entram e saem de nossas vidas, mas existem algumas que permanecem por mais tempo. São aquelas com que estabelecemos laços mais fortes, difíceis de serem desfeitos por qualquer intempérie.
Mesmo assim, existe uma hora em que temos que dizer adeus e nos separar daquelas que são mais queridas. Esta hora chega de duas maneiras distintas, ambas causando momentos de dor e tristeza, ou elas nos deixam por livre e espontânea vontade, ou por ter chegado o momento de partir para o plano espiritual.
É difícil aceitar que dessas pessoas não teremos mais notícias, não veremos mais seus sorrisos, não poderemos mais abraçá-las e dizer o quanto elas são importantes para nós. Talvez elas tenham partido sem se dar conta disso ou, se deram conta, e não nos valorizaram o quanto que gostaríamos.
Porém, não é difícil nos pegarmos pensando nos motivos que levaram ao rompimento inesperado de relações que nos faziam tão bem, que nos traziam conforto, segurança e que nos instigavam a planejar um futuro diferente, com protagonistas e em lugares e situações imaginadas que beiravam a perfeição.
Talvez nosso maior problema seja justamente este. Acreditamos poder alcançar uma perfeição que, infelizmente, não seremos capazes de atingir. Não por falta da nossa vontade, obviamente queremos que tudo dê certo no convívio com as pessoas que amamos, porém, esquecemos que o que a gente quer nem sempre é o que acontece e nem sempre é o que os outros querem.
Podemos e devemos planejar nosso futuro, tudo que é bem planejado acaba sendo mais fácil de ser executado. Este planejamento, entretanto, deve girar em torno de certas convicções:
1) Sem o apoio da família dificilmente avançamos em qualquer campo da vida, mas um dia nossos pais, irmãos, avós, tios e primos não estarão mais aqui para nos dar o suporte que tanto precisamos ou para presenciar tudo aquilo que gostaríamos.
2) Mesmo nossos amigos mais próximos podem se distanciar de uma hora para outra e deixar de fazer parte de nossas vidas.
3) Pessoas podem ser inesquecíveis, mas não são insubstituíveis. Não existe um único amor. Só nós mesmo que não podemos ser substituídos por ninguém e perder o amor próprio.
Alguma coisa sempre muda, seja pra melhor ou pra pior. Sendo assim, basta saber que com força de vontade, perseverança, fé e humildade somos capazes de nos adaptar e fazer das mudanças a nossa nova realidade.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Faltando
Falta um botão na camisa,
Falta a moldura do quadro,
Falta luz na escuridão,
Falta você ao meu lado
Na sua ausente percepção
Vês o vazio desse coração?
Foi mesmo paixão passageira?
Tu quiseste minha solidão?
Não temos todas as respostas
Perdemo-nos em nossas carências
Deixamos de nos conhecer
Mesmo diante das evidências
Mas as lacunas aparecem na vida
E só podem ser preenchidas assim
Com o tempo fazendo seu papel
Alterando todas as coisas no fim
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 28 de agosto de 2011
Coisas do coração
Não esperava que fosse lembrar. Sabia que tinha lutado por um longo período para esquecer, realmente, havia muito tempo. Acreditava que, enfim, houvesse conseguido. Mas aquela recordação estava lá, enterrada, profundamente, propositalmente e beneficamente escondida nos confins daquele coração que tanto se magoou, que tanto se decepcionou e foi vítima das justificativas mais incoerentes que se pode receber.
É preciso aceitar que existem coisas que são indeléveis, mesmo contra nossa vontade elas hão de nos acompanhar durante toda a nossa existência. O tempo passa, novas experiências e relacionamentos surgem. O novo sobrepõe o velho, mas é incapaz de apagá-lo ou substituí-lo. Assim deve ser e assim é.
Um coração bate, em média, 70 vezes por minuto, mas existem momentos em que ele parece dar uma parada. Existem momentos em que ele parece estar vazio e sentimos um aperto profundo no peito. Geralmente nossos batimentos cardíacos são para nos manter vivos, entretanto, em várias ocasiões, nosso coração também bate para outras pessoas, que são capazes de alterar (acelerar ou desacelerar) o ritmo desses batimentos, de acordo com suas atitudes e palavras.
Quando abrimos a guarda permitindo que outras pessoas tenham o poder de “interferir” em nosso ritmo cardíaco, passamos a ser guiados por um sentimento que foge ao nosso controle, e ficamos suscetíveis às decisões e escolhas das pessoas a quem confidenciamos nosso coração. É um risco necessário e que gostamos de correr, mas nem sempre existe o cuidado esperado com aquilo que compartilhamos.
As lembranças do que passamos um dia, com alguém, nem sempre representam o que gostaríamos. Por vezes podemos acreditar que o melhor mesmo é esquecer, enterrar o passado, mas não adianta tentar se enganar. Cedo ou tarde nos deparamos com aquela antiga foto, com uma carta que não lembrávamos onde estava guardada ou com amigos em comum.
Uma coisa é certa, as marcas deixadas no coração são mais fortes que as memórias que tentamos deixar para trás.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Rejeição
Tá aí uma palavra que traz consigo uma inevitável dor, não existe rejeição que não entristeça o coração dos homens, sejam crianças, jovens ou idosos.
Desde muito novos aprendemos a nos familiarizar com ela. No teste para entrarmos na escola desejada por nossos pais, na hora da formação de times nas aulas de educação física (onde conhecemos a famosa “panelinha”), nas formações de grupos de trabalho da faculdade, sempre existem os que rejeitam e os que são rejeitados, os que “sobram”, e são encaixados em grupos aleatórios para compor uma formação desejada.
A rejeição nos persegue, infelizmente, por toda a vida. Algumas vezes somos rejeitados pela empresa que trabalhamos ou, ainda, pela pessoa com quem estamos nos relacionando. Podemos ser rejeitados pela nossa classe social, cor, credo, depende apenas do lugar em que estamos e com quem estamos convivendo.
Como dito, ser rejeitado é receber um baque, ter a auto-estima totalmente diminuída e as expectativas todas frustradas. Este sentimento momentâneo é inevitável, mas ele não deve passar disso. Apenas sentimento momentâneo, afinal, com o tempo, devemos adquirir uma blindagem natural contra toda a forma de rejeição.
Nunca nos abatermos por longos períodos. Levantar a cabeça e aprender a nos valorizar cada vez mais, empenhando para melhorarmos em todos os sentidos, estes são os reais motivos de sermos tantas vezes rejeitados.
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 14 de agosto de 2011
Labirintos
Tudo na vida tem um começo e um fim, o que varia é o tempo que demoramos a atingir o desfecho de cada caminhada que nos propomos a realizar ou os caminhos que estamos destinados a trilhar. Durante este percurso é muito fácil nos vermos perdidos, como se estivéssemos em um complexo labirinto, sem saber qual direção devemos seguir.
Por vezes nos abatemos por um sentimento de que somos incapazes de encontrar o caminho correto, isto nos obscurece o pensamento e nos impede de agir de forma sensata, nos deixando paralisados diante das infinitas possibilidades que podemos escolher.
É um paradigma, quem tem muitas escolhas acaba por escolher o mais óbvio e mais cômodo, em vez de se aventurar correndo novos riscos, enveredando na direção de novos desafios.
O medo de errar ou de se arrepender pode fazer com que as pessoas não prolonguem por muito tempo a sua estadia nos labirintos que adentram. É como se elas resolvessem desistir de ver onde vai dar o final e impusessem um fim prematuro à situação, derrubando bruscamente, de uma só vez, todas as paredes e vielas que ainda seriam necessárias para que se desvendasse o mistério de alcançar o final, é bem mais cômodo desistir de prosseguir.
Ir e voltar, errar, tentar de novo, errar de novo, seguir tentando, errar novamente, começar outra vez, quantas vezes não somos obrigados a fazer isto? Não há do que reclamar e muito menos pensar em desistir! Nunca é demais lembrar que errar também é aprender, talvez a melhor forma de aprendizado, pois temos, estranhamente, mais facilidade de guardar na memória os desapontamentos sofridos.
O quanto seria melhor se não sofrêssemos? Porém, são estes reveses da vida que contribuem mais significativamente para nosso crescimento, para nos tornar pessoas mais maduras e fortes.
Não abdiquemos de nossos desafios, por mais difíceis, cansativos, repetitivos ou demorados que eles sejam. Chegar ao final de uma jornada, fechando um ciclo de vida, é sempre uma vitória, prazerosa ou não, mas não deixa de ser uma vitória.
Fernando Christófaro Salgado.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Apagão criativo
Sei que estou muito, muito longe de ser um exímio escritor, que acentua e pontua corretamente todas as palavras, frases e orações, ou ainda, que segue todas as convenções gramaticais, principalmente após as mudanças, mais ou menos recentes, sofridas por nossa - já bastante complexa - língua portuguesa.
Apesar de não exercer a profissão de escritor, tenho grande apreço pela produção de textos que possam externar meus pensamentos correntes. Não que não tenha pensando em nada nos últimos tempos (muito pelo contrário), mas temo ter sido acometido por um mal conhecido pelos grandes escritores (e artistas em geral), que passam longos períodos sem produzir nada de novo, o “apagão criativo”.
Por vezes minto para mim mesmo e para outros dizendo que é por falta de tempo que não escrevo mais com tanta freqüência, como antigamente. Tempo a gente sempre arruma quando realmente quer, quando tem vontade de fazer, como agora, que estou escrevendo às 01:00h e vou acordar às 06:00h para trabalhar.
Mas o problema não é o tempo. Confesso que me falta outra coisa para que eu possa me sentir a vontade para colocar no papel aquilo que se passa em minha cabeça, é como se as idéias não fluíssem direito, como se algo estivesse travando minha capacidade de expressão.
De fato, não sei explicar o que é. Talvez seja normal que haja um esgotamento criativo quando nos propomos a expor continuamente pareceres sobre nossa vida e suas implicações. Talvez esteja me faltando conteúdo para escrever e embasar meus posicionamentos ou, simplesmente, talvez tenha perdido aquela vontade incessante de produzir.
Enfim, um pouco de tudo isto pode ser verdade...
Fernando Christófaro Salgado.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Além da imaginação
A capacidade da mente humana me fascina cada vez mais. Se fizermos um levantamento de quantas invenções foram feitas nos últimos duzentos anos e que impactaram na vida de todos os habitantes do planeta, teremos um número expressivo de casos.
Do rádio à TV e à internet, da fotografia ao vídeo, dos automóveis aos aviões e foguetes, quem poderia imaginar tantas novidades em um período tão curto de nossa história? Qual seria a explicação para tantos avanços técnicos e científicos?
A explicação mais plausível que me ocorre é que com o passar dos anos, das décadas e séculos, acumulamos um conhecimento que não se perde. Não um conhecimento individual, mas um conhecimento coletivo que se enraíza em nosso DNA.
Somos movidos a desafios e procuramos sempre meios de expandir nossas capacidades, facilitando nosso dia a dia, nossa forma de nos comunicar e de interagir com o meio ambiente que nos cerca, ou além.
Incansavelmente, buscamos respostas para inúmeros questionamentos, e as encontramos cada vez mais rápido. Quando menos esperamos, estamos utilizando uma tecnologia totalmente nova, que antes de existir não fazia falta nenhuma, mas que, com seus diferencias, a princípio, se torna um objeto de desejo e, logo depois de um tempo, passa a ser consumida em massa.
O novo se torna velho muito rápido. Vejamos o caso do videocassete. Por muitos anos ele permaneceu dominante, sendo a única maneira de reprodução de vídeos disponível, até ser gradativamente existindo das prateleiras, com a chegada do DVD.
O DVD, por sua vez, teve um tempo de vida relativamente curto até o surgimento do Blu-Ray, que, apesar de ainda dividir mercado com seu antecessor, já figura como uma opção de equipamento de qualidade superior nas lojas.
Saber o que ainda está por vir, o que podemos esperar de novo, é um exercício que vai muito além da imaginação. A criatividade e capacidade de inovar parecem não ter limites. A ficção e a realidade por vezes se confundem. O que nos resta é tentar acompanhar todas as evoluções e estar por dentro de tudo o que há de novo no mercado pois, cedo ou tarde, seremos influenciados por elas.
Fernando Christófaro Salgado.
sábado, 11 de junho de 2011
As melhores coisas da vida
Não necessariamente nesta ordem, nem restritas somente a esta lista:
– Acordar cedo achando que está atrasado para trabalhar e poder dormir por muito mais tempo.
– Viajar pra lugares ainda desconhecidos, sozinho ou com uma turma bacana.
– Receber o abraço de uma pessoa querida.
– Comer coisas de que se gosta muito e que se tem sempre vontade de comer de novo.
– Dormir esperando sonhar com alguém.
– Sonhar com a pessoa que você queria.
– Beijar quem você ama.
– Fazer amor olhando nos olhos.
– Assistir filmes comendo pipoca quentinha.
– Ouvir músicas e poder avançar nas partes que não gosta.
– Correr pra se esconder de uma chuva repentina.
– Dançar sem se importar com que os outros vão pensar de você.
– Conhecer pessoas novas e interessantes.
– Cantar, mesmo que seja totalmente desafinado.
– Adquirir algo que já desejava há muito tempo e que ainda não tinha recursos pra comprar.
– Estar na presença de amigos verdadeiros com freqüência.
– Encontrar por acaso pessoas queridas e que não vê há muito tempo.
– Abraçar quem não se vê há muito tempo.
– Escrever cartas de amor (em papel, com sua própria letra, mesmo que fique ilegível).
– Receber cartas de amor (escritas em papel, com a caligrafia da pessoa amada).
– Sair pra botecos pra bater papo, beber e comer tira-gostos.
– Assistir ao show de uma banda que gosta, bem perto do palco.
– Almoçar com a família nos dias de domingo.
– Ter fé em um Deus soberanamente justo e bom.
– Receber o reconhecimento por um trabalho bem feito.
– Ter alguém de confiança pra conversar sobre assuntos difíceis.
– Ser convidado pra festas de aniversário, casamentos, formaturas e afins.
– Receber presentes inesperadamente ou inesperados.
– Tomar sol na praia pisando na areia fofa e bebendo uma bebida bem gelada.
– Furar ondas no mar, tomar alguns caldos, levantar e perceber que foi puxado pra longe da barraca que estava.
– Ler um bom livro, que prenda sua atenção do início ao fim.
– Aprender coisas novas e úteis, que sirvam pro seu dia a dia ou profissão.
– Abrir um álbum de fotografias e lembrar-se de momentos ou de pessoas que talvez tenham ficado pra trás.
– Se sentir totalmente seguro no lugar em que estiver.
– Assistir TV debaixo das cobertas em dias frios.
¬– Ter a certeza que existem pessoas que se importam com você, e muito! Talvez mais que imagine.
– Dirigir em dias sem engarrafamento ou em estradas sem buracos (é difícil, mas ainda possível em alguns lugares).
– Ser otimista, mesmo nas piores situações.
– Trabalhar sempre procurando dar o melhor de si.
– Não guardar mágoas ou ressentimentos de ninguém.
– Ter a verdade e a honestidade como guias.
“Viver e não ter a vergonha de ser feliz!”
Fernando Christófaro Salgado.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Moonlight
Não vejo méritos nela
Mesmo sendo tão bela
Nada faz por merecer
Trapaceia pra aparecer
Quem deveria receber as honras
É relegado ao segundo plano
Apesar de ser a verdadeira estrela
Não aparece nas noites do ano
Mas a questão do momento
Tem a ver com reconhecimento
Uns se evidenciam bem mais
Esquece-se de quem realmente faz
Enquanto a luz que possuímos
Iluminar apenas outros corpos
Nossa vida será sempre assim
Estaremos num esquecimento sem fim
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 15 de maio de 2011
O dilema das diferenças
Um dos provérbios de que mais gosto é o que diz: “Nem tudo que reluz é ouro”, trocando em miúdos, as coisas nem sempre são do jeito que parecem ser. Existem pessoas com pensamentos, sentimentos, valores e atitudes que se confrontam e, em uma primeira análise, são estas diferenças que geram os mais diversos tipos de conflitos, desentendimentos e a famigerada inveja.
Todas as semanas milhares de pessoas tentam mudar de vida apostando nos mais diversos jogos oferecidos pelas casas lotéricas. Visualizam facilmente os luxuosos automóveis que poderão comprar, sonham com viagens pelos mais deslumbrantes lugares do mundo, e planejam viver em belas casas com piscina e todo o conforto, casas que terão o orgulho de chamar de lar.
Chega a ser engraçado pensar que o que é sonho para uns é a mais pura realidade para outros. É sabido que, diante do tamanho da população brasileira, são pouquíssimos os agraciados com prêmios lotéricos. Para tentar mudar de vida e atingir sonhos de consumo só resta aos simples mortais umas das mais antigas atividades do homem, o trabalho.
Infelizmente, não são todos que entendem que as diferenças financeiras que separam os homens não são responsáveis por deixar um rico ou um pobre bem consigo mesmo. Neste contexto, ser diferente é ruim. O rico enxerga o pobre como incapaz e infeliz. Tem medo dos mendigos maltrapilhos que dormem sob os viadutos. O pobre, por sua vez, acaba enveredando pelos caminhos do roubo e do assassínio para conquistar coisas que só os ricos possuem, almeja a vida de rico, sem ter conhecimento dos vícios, exageros e sentimentos de solidão que a riqueza pode trazer.
Cometeríamos grande erro se disséssemos que todos os ricos são mais felizes que os pobres, de outra forma, não teríamos celebridades e grandes empresários cometendo suicídio. Não teríamos gente com muito dinheiro vendo seus entes queridos serem seqüestrados e mortos por viverem o sonho dos outros. Também não veríamos o sorriso largo no rosto de gente simples, de bem, que apesar de morar em favelas, sabe conviver com as diferenças que sempre hão de existir e trabalham dia a dia, com o intuito de encontrar caminhos para uma vida melhor.
As diferenças existem em todos os âmbitos de nossas vidas. Nas classes sociais, na religião, no futebol, na política, no sexo e nas experiências únicas por que passamos. Ser diferente é bom ou ruim? Depende apenas de como você enxerga e vive sua vida.
Fernando Christófaro Salgado.
Todas as semanas milhares de pessoas tentam mudar de vida apostando nos mais diversos jogos oferecidos pelas casas lotéricas. Visualizam facilmente os luxuosos automóveis que poderão comprar, sonham com viagens pelos mais deslumbrantes lugares do mundo, e planejam viver em belas casas com piscina e todo o conforto, casas que terão o orgulho de chamar de lar.
Chega a ser engraçado pensar que o que é sonho para uns é a mais pura realidade para outros. É sabido que, diante do tamanho da população brasileira, são pouquíssimos os agraciados com prêmios lotéricos. Para tentar mudar de vida e atingir sonhos de consumo só resta aos simples mortais umas das mais antigas atividades do homem, o trabalho.
Infelizmente, não são todos que entendem que as diferenças financeiras que separam os homens não são responsáveis por deixar um rico ou um pobre bem consigo mesmo. Neste contexto, ser diferente é ruim. O rico enxerga o pobre como incapaz e infeliz. Tem medo dos mendigos maltrapilhos que dormem sob os viadutos. O pobre, por sua vez, acaba enveredando pelos caminhos do roubo e do assassínio para conquistar coisas que só os ricos possuem, almeja a vida de rico, sem ter conhecimento dos vícios, exageros e sentimentos de solidão que a riqueza pode trazer.
Cometeríamos grande erro se disséssemos que todos os ricos são mais felizes que os pobres, de outra forma, não teríamos celebridades e grandes empresários cometendo suicídio. Não teríamos gente com muito dinheiro vendo seus entes queridos serem seqüestrados e mortos por viverem o sonho dos outros. Também não veríamos o sorriso largo no rosto de gente simples, de bem, que apesar de morar em favelas, sabe conviver com as diferenças que sempre hão de existir e trabalham dia a dia, com o intuito de encontrar caminhos para uma vida melhor.
As diferenças existem em todos os âmbitos de nossas vidas. Nas classes sociais, na religião, no futebol, na política, no sexo e nas experiências únicas por que passamos. Ser diferente é bom ou ruim? Depende apenas de como você enxerga e vive sua vida.
Fernando Christófaro Salgado.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Conto das montanhas nevadas
Mudam-se as estações, muda-se o clima, mudam-se as paisagens, em um curto espaço de tempo tudo pode mudar. O inverno já se apresentava vigoroso, mas naquelas montanhas de elevada altitude, onde a branquidão da neve deveria reinar, o verde dos pinheiros e a secura da grama ainda dominavam as cordilheiras.
Era como se faltasse algo para preencher o ambiente, deixando-o estranhamente triste. As montanhas sentiam-se solitárias, como se ninguém se importasse com elas. De fato, sem sua cobertura especial, elas se tornam tão comuns quanto qualquer coisa que não nos chama a atenção.
E era assim a maior parte do ano, sem visitantes, sem diversão, sem nada de diferente. Porém, calejadas pelo tempo, as montanhas sabem esperar por seu momento de triunfo. Para completar aquele vazio elas aguardam cair o primeiro floquinho de neve, o responsável inicial por revigorar toda a sua beleza, por atrair pessoas que possam fazer daquele lugar tão frio um lugar prazeroso de se estar e, em contrapartida, elas sempre se aprazem com o calor humano e com toda a energia que recebem dos turistas, vindos dos mais diversos países.
Infelizmente, o período de duração de toda a atratividade que a neve traz é relativamente curto e, apesar de, em alguns lugares, haver neve constantemente, como nos elevados picos, as montanhas esperam mesmo, a cada ano, é que chegue logo a hora de nevar sem parar e que tudo se cubra com o branco mais branco, que faça confundir o chão com os céus carregados de nuvens.
Por fim, mesmo com a ansiosa espera elas lembram que os primeiros floquinhos sempre caem, logicamente, em seus pontos mais altos e os presenteiam com um lugar que não pode ser alterado pelas variações climáticas. Dada a sua importância eles sempre terão espaço especial, reservado, bem lá no alto.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Algumas vezes
Algumas vezes sinto-me triste, por outras me sinto sozinho. Em dias com céu nublado tenho o pensamento embaçado. Comungo com a natureza mudanças em meu estado, não enxergo nenhuma beleza, sigo desanimado.
E na minha solidão reconheço, talvez seja por que mereço ou por falta de apreço, mas estar só é só uma opção, que nem sempre é a melhor, mas não chega a ser a pior.
Também hei de dizer que me canso, faço coisas que me desagradam, me irrito e discordo dos outros, deixo pra lá muitas coisas e lembro outras tantas sem relevância.
Volto o pensamento à infância, pro tempo em que tudo era mais fácil, mas será que era mesmo? Aprender a escrever sem erros de concordância, somar, multiplicar, subtrair e dividir, até hoje acredito que a maior dificuldade da maioria da população é em fazer divisões. Se numa casa com duas pessoas compram-se dez laranjas por semana e consomem-se cinco, as outras cinco apodrecem na fruteira, mas não são compartilhadas com quem realmente precisa.
Ainda falta dizer, há ocasiões em que me decepciono, espero coisas que não acontecem, mesmo que eu quisesse, nem tudo depende de mim. É como quando fico doente ou me machuco, fatos inesperados que geralmente causam algum tipo de dor.
Infelizmente nada cai do céu, cada dia uma conquista, um novo aprendizado. Mesmo aos trancos e barrancos, diante de tantas dificuldades e conflitos internos e externos, não devemos esmorecer, somos todos iguais e ao mesmo tempo diferentes em muitos aspectos.
Algumas vezes será que me pareço com você?
Fernando Christófaro Salgado.
E na minha solidão reconheço, talvez seja por que mereço ou por falta de apreço, mas estar só é só uma opção, que nem sempre é a melhor, mas não chega a ser a pior.
Também hei de dizer que me canso, faço coisas que me desagradam, me irrito e discordo dos outros, deixo pra lá muitas coisas e lembro outras tantas sem relevância.
Volto o pensamento à infância, pro tempo em que tudo era mais fácil, mas será que era mesmo? Aprender a escrever sem erros de concordância, somar, multiplicar, subtrair e dividir, até hoje acredito que a maior dificuldade da maioria da população é em fazer divisões. Se numa casa com duas pessoas compram-se dez laranjas por semana e consomem-se cinco, as outras cinco apodrecem na fruteira, mas não são compartilhadas com quem realmente precisa.
Ainda falta dizer, há ocasiões em que me decepciono, espero coisas que não acontecem, mesmo que eu quisesse, nem tudo depende de mim. É como quando fico doente ou me machuco, fatos inesperados que geralmente causam algum tipo de dor.
Infelizmente nada cai do céu, cada dia uma conquista, um novo aprendizado. Mesmo aos trancos e barrancos, diante de tantas dificuldades e conflitos internos e externos, não devemos esmorecer, somos todos iguais e ao mesmo tempo diferentes em muitos aspectos.
Algumas vezes será que me pareço com você?
Fernando Christófaro Salgado.
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