sábado, 17 de setembro de 2011
Basta saber
Existem coisas que ainda não podem ser compreendidas por nós. São diversos questionamentos que não podemos responder. Essa situação, por vezes, nos causa certo desconforto e inquietação. Ansiamos por respostas que nos convençam de que tudo tem um motivo de ser.
Pessoas entram e saem de nossas vidas, mas existem algumas que permanecem por mais tempo. São aquelas com que estabelecemos laços mais fortes, difíceis de serem desfeitos por qualquer intempérie.
Mesmo assim, existe uma hora em que temos que dizer adeus e nos separar daquelas que são mais queridas. Esta hora chega de duas maneiras distintas, ambas causando momentos de dor e tristeza, ou elas nos deixam por livre e espontânea vontade, ou por ter chegado o momento de partir para o plano espiritual.
É difícil aceitar que dessas pessoas não teremos mais notícias, não veremos mais seus sorrisos, não poderemos mais abraçá-las e dizer o quanto elas são importantes para nós. Talvez elas tenham partido sem se dar conta disso ou, se deram conta, e não nos valorizaram o quanto que gostaríamos.
Porém, não é difícil nos pegarmos pensando nos motivos que levaram ao rompimento inesperado de relações que nos faziam tão bem, que nos traziam conforto, segurança e que nos instigavam a planejar um futuro diferente, com protagonistas e em lugares e situações imaginadas que beiravam a perfeição.
Talvez nosso maior problema seja justamente este. Acreditamos poder alcançar uma perfeição que, infelizmente, não seremos capazes de atingir. Não por falta da nossa vontade, obviamente queremos que tudo dê certo no convívio com as pessoas que amamos, porém, esquecemos que o que a gente quer nem sempre é o que acontece e nem sempre é o que os outros querem.
Podemos e devemos planejar nosso futuro, tudo que é bem planejado acaba sendo mais fácil de ser executado. Este planejamento, entretanto, deve girar em torno de certas convicções:
1) Sem o apoio da família dificilmente avançamos em qualquer campo da vida, mas um dia nossos pais, irmãos, avós, tios e primos não estarão mais aqui para nos dar o suporte que tanto precisamos ou para presenciar tudo aquilo que gostaríamos.
2) Mesmo nossos amigos mais próximos podem se distanciar de uma hora para outra e deixar de fazer parte de nossas vidas.
3) Pessoas podem ser inesquecíveis, mas não são insubstituíveis. Não existe um único amor. Só nós mesmo que não podemos ser substituídos por ninguém e perder o amor próprio.
Alguma coisa sempre muda, seja pra melhor ou pra pior. Sendo assim, basta saber que com força de vontade, perseverança, fé e humildade somos capazes de nos adaptar e fazer das mudanças a nossa nova realidade.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Faltando
Falta um botão na camisa,
Falta a moldura do quadro,
Falta luz na escuridão,
Falta você ao meu lado
Na sua ausente percepção
Vês o vazio desse coração?
Foi mesmo paixão passageira?
Tu quiseste minha solidão?
Não temos todas as respostas
Perdemo-nos em nossas carências
Deixamos de nos conhecer
Mesmo diante das evidências
Mas as lacunas aparecem na vida
E só podem ser preenchidas assim
Com o tempo fazendo seu papel
Alterando todas as coisas no fim
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 28 de agosto de 2011
Coisas do coração
Não esperava que fosse lembrar. Sabia que tinha lutado por um longo período para esquecer, realmente, havia muito tempo. Acreditava que, enfim, houvesse conseguido. Mas aquela recordação estava lá, enterrada, profundamente, propositalmente e beneficamente escondida nos confins daquele coração que tanto se magoou, que tanto se decepcionou e foi vítima das justificativas mais incoerentes que se pode receber.
É preciso aceitar que existem coisas que são indeléveis, mesmo contra nossa vontade elas hão de nos acompanhar durante toda a nossa existência. O tempo passa, novas experiências e relacionamentos surgem. O novo sobrepõe o velho, mas é incapaz de apagá-lo ou substituí-lo. Assim deve ser e assim é.
Um coração bate, em média, 70 vezes por minuto, mas existem momentos em que ele parece dar uma parada. Existem momentos em que ele parece estar vazio e sentimos um aperto profundo no peito. Geralmente nossos batimentos cardíacos são para nos manter vivos, entretanto, em várias ocasiões, nosso coração também bate para outras pessoas, que são capazes de alterar (acelerar ou desacelerar) o ritmo desses batimentos, de acordo com suas atitudes e palavras.
Quando abrimos a guarda permitindo que outras pessoas tenham o poder de “interferir” em nosso ritmo cardíaco, passamos a ser guiados por um sentimento que foge ao nosso controle, e ficamos suscetíveis às decisões e escolhas das pessoas a quem confidenciamos nosso coração. É um risco necessário e que gostamos de correr, mas nem sempre existe o cuidado esperado com aquilo que compartilhamos.
As lembranças do que passamos um dia, com alguém, nem sempre representam o que gostaríamos. Por vezes podemos acreditar que o melhor mesmo é esquecer, enterrar o passado, mas não adianta tentar se enganar. Cedo ou tarde nos deparamos com aquela antiga foto, com uma carta que não lembrávamos onde estava guardada ou com amigos em comum.
Uma coisa é certa, as marcas deixadas no coração são mais fortes que as memórias que tentamos deixar para trás.
Fernando Christófaro Salgado.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Rejeição
Tá aí uma palavra que traz consigo uma inevitável dor, não existe rejeição que não entristeça o coração dos homens, sejam crianças, jovens ou idosos.
Desde muito novos aprendemos a nos familiarizar com ela. No teste para entrarmos na escola desejada por nossos pais, na hora da formação de times nas aulas de educação física (onde conhecemos a famosa “panelinha”), nas formações de grupos de trabalho da faculdade, sempre existem os que rejeitam e os que são rejeitados, os que “sobram”, e são encaixados em grupos aleatórios para compor uma formação desejada.
A rejeição nos persegue, infelizmente, por toda a vida. Algumas vezes somos rejeitados pela empresa que trabalhamos ou, ainda, pela pessoa com quem estamos nos relacionando. Podemos ser rejeitados pela nossa classe social, cor, credo, depende apenas do lugar em que estamos e com quem estamos convivendo.
Como dito, ser rejeitado é receber um baque, ter a auto-estima totalmente diminuída e as expectativas todas frustradas. Este sentimento momentâneo é inevitável, mas ele não deve passar disso. Apenas sentimento momentâneo, afinal, com o tempo, devemos adquirir uma blindagem natural contra toda a forma de rejeição.
Nunca nos abatermos por longos períodos. Levantar a cabeça e aprender a nos valorizar cada vez mais, empenhando para melhorarmos em todos os sentidos, estes são os reais motivos de sermos tantas vezes rejeitados.
Fernando Christófaro Salgado.
domingo, 14 de agosto de 2011
Labirintos
Tudo na vida tem um começo e um fim, o que varia é o tempo que demoramos a atingir o desfecho de cada caminhada que nos propomos a realizar ou os caminhos que estamos destinados a trilhar. Durante este percurso é muito fácil nos vermos perdidos, como se estivéssemos em um complexo labirinto, sem saber qual direção devemos seguir.
Por vezes nos abatemos por um sentimento de que somos incapazes de encontrar o caminho correto, isto nos obscurece o pensamento e nos impede de agir de forma sensata, nos deixando paralisados diante das infinitas possibilidades que podemos escolher.
É um paradigma, quem tem muitas escolhas acaba por escolher o mais óbvio e mais cômodo, em vez de se aventurar correndo novos riscos, enveredando na direção de novos desafios.
O medo de errar ou de se arrepender pode fazer com que as pessoas não prolonguem por muito tempo a sua estadia nos labirintos que adentram. É como se elas resolvessem desistir de ver onde vai dar o final e impusessem um fim prematuro à situação, derrubando bruscamente, de uma só vez, todas as paredes e vielas que ainda seriam necessárias para que se desvendasse o mistério de alcançar o final, é bem mais cômodo desistir de prosseguir.
Ir e voltar, errar, tentar de novo, errar de novo, seguir tentando, errar novamente, começar outra vez, quantas vezes não somos obrigados a fazer isto? Não há do que reclamar e muito menos pensar em desistir! Nunca é demais lembrar que errar também é aprender, talvez a melhor forma de aprendizado, pois temos, estranhamente, mais facilidade de guardar na memória os desapontamentos sofridos.
O quanto seria melhor se não sofrêssemos? Porém, são estes reveses da vida que contribuem mais significativamente para nosso crescimento, para nos tornar pessoas mais maduras e fortes.
Não abdiquemos de nossos desafios, por mais difíceis, cansativos, repetitivos ou demorados que eles sejam. Chegar ao final de uma jornada, fechando um ciclo de vida, é sempre uma vitória, prazerosa ou não, mas não deixa de ser uma vitória.
Fernando Christófaro Salgado.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Apagão criativo
Sei que estou muito, muito longe de ser um exímio escritor, que acentua e pontua corretamente todas as palavras, frases e orações, ou ainda, que segue todas as convenções gramaticais, principalmente após as mudanças, mais ou menos recentes, sofridas por nossa - já bastante complexa - língua portuguesa.
Apesar de não exercer a profissão de escritor, tenho grande apreço pela produção de textos que possam externar meus pensamentos correntes. Não que não tenha pensando em nada nos últimos tempos (muito pelo contrário), mas temo ter sido acometido por um mal conhecido pelos grandes escritores (e artistas em geral), que passam longos períodos sem produzir nada de novo, o “apagão criativo”.
Por vezes minto para mim mesmo e para outros dizendo que é por falta de tempo que não escrevo mais com tanta freqüência, como antigamente. Tempo a gente sempre arruma quando realmente quer, quando tem vontade de fazer, como agora, que estou escrevendo às 01:00h e vou acordar às 06:00h para trabalhar.
Mas o problema não é o tempo. Confesso que me falta outra coisa para que eu possa me sentir a vontade para colocar no papel aquilo que se passa em minha cabeça, é como se as idéias não fluíssem direito, como se algo estivesse travando minha capacidade de expressão.
De fato, não sei explicar o que é. Talvez seja normal que haja um esgotamento criativo quando nos propomos a expor continuamente pareceres sobre nossa vida e suas implicações. Talvez esteja me faltando conteúdo para escrever e embasar meus posicionamentos ou, simplesmente, talvez tenha perdido aquela vontade incessante de produzir.
Enfim, um pouco de tudo isto pode ser verdade...
Fernando Christófaro Salgado.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Além da imaginação
A capacidade da mente humana me fascina cada vez mais. Se fizermos um levantamento de quantas invenções foram feitas nos últimos duzentos anos e que impactaram na vida de todos os habitantes do planeta, teremos um número expressivo de casos.
Do rádio à TV e à internet, da fotografia ao vídeo, dos automóveis aos aviões e foguetes, quem poderia imaginar tantas novidades em um período tão curto de nossa história? Qual seria a explicação para tantos avanços técnicos e científicos?
A explicação mais plausível que me ocorre é que com o passar dos anos, das décadas e séculos, acumulamos um conhecimento que não se perde. Não um conhecimento individual, mas um conhecimento coletivo que se enraíza em nosso DNA.
Somos movidos a desafios e procuramos sempre meios de expandir nossas capacidades, facilitando nosso dia a dia, nossa forma de nos comunicar e de interagir com o meio ambiente que nos cerca, ou além.
Incansavelmente, buscamos respostas para inúmeros questionamentos, e as encontramos cada vez mais rápido. Quando menos esperamos, estamos utilizando uma tecnologia totalmente nova, que antes de existir não fazia falta nenhuma, mas que, com seus diferencias, a princípio, se torna um objeto de desejo e, logo depois de um tempo, passa a ser consumida em massa.
O novo se torna velho muito rápido. Vejamos o caso do videocassete. Por muitos anos ele permaneceu dominante, sendo a única maneira de reprodução de vídeos disponível, até ser gradativamente existindo das prateleiras, com a chegada do DVD.
O DVD, por sua vez, teve um tempo de vida relativamente curto até o surgimento do Blu-Ray, que, apesar de ainda dividir mercado com seu antecessor, já figura como uma opção de equipamento de qualidade superior nas lojas.
Saber o que ainda está por vir, o que podemos esperar de novo, é um exercício que vai muito além da imaginação. A criatividade e capacidade de inovar parecem não ter limites. A ficção e a realidade por vezes se confundem. O que nos resta é tentar acompanhar todas as evoluções e estar por dentro de tudo o que há de novo no mercado pois, cedo ou tarde, seremos influenciados por elas.
Fernando Christófaro Salgado.
Assinar:
Postagens (Atom)






