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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Quando o futuro se esvai


É certo dizer que nada dura para sempre? Prefiro acreditar que não. Nossos bons pensamentos e sentimentos genuínos alimentam nossa alma e nos acompanham por gerações e gerações. Por maiores que sejam nossos desafios e contratempos, nossos erros, tropeços e decepções, aquilo que aprendemos a duras penas terá um sentido de ser que um dia poderemos compreender.
Estamos realmente amarrados a um destino irrevogável? Novamente, prefiro acreditar que não. Na maioria das vezes podemos escolher qual caminho seguir, mas há situações onde vemos se esvair o futuro que planejamos, seja pelas circunstâncias do momento, ou mesmo pela necessidade de cumprirmos não um destino milimetricamente predefinido, mas apenas algumas etapas imprescindíveis para o nosso crescimento pessoal. Sentir o futuro planejado se esvair é o mesmo sentimento que temos quando tentamos pegar um punhado de areia com as mãos e no final ficam apenas poucos grãos pra contar história.
Todos somos responsáveis por nossas escolhas e decisões, o que ocorre é que muitas vezes as tomados influenciados por pessoas que não nos querem bem, infelizmente estas pessoas são lobos em pele de cordeiros, que em seu íntimo carregam uma inveja desmedida e que, direta ou indiretamente, são responsáveis por alterar os planos futuros de pessoas que talvez nem conheçam e que entretanto fazem parte do convívio de quem estão influenciando negativamente.
O que pensar da frase “Diga com quem tu andas e te direis quem és”? Apesar de cada indivíduo carregar sua personalidade, somos sim influenciados pelas pessoas de nosso convívio, para o bem ou para o mal, em menor ou maior grau. Podemos ser inseridos em um meio onde existem pessoas que nos inspiram confiança e passamos a nos espelhar em algumas de suas atitudes, a freqüentar os mesmos lugares que elas e a curtir as mesmas músicas. Porém, é preciso lembrar que nem sempre afinidade pode se definir como amizade. Pessoas que confundem isto podem ser rotuladas indevidamente pelas companhias que possuem. Uma amizade é construída através de um processo longo, onde a intimidade pode ser compartilhada sem receios e as vitórias, conquistas e a felicidade do outro são comemoradas como se nos fossem próprias.
Somos seres que necessitam se relacionar com outras pessoas e também necessitamos planejar nosso futuro e, certamente, olhando para frente, temos que visualizar quem estará conosco em nossa caminhada. É necessário que as nossas relações estejam bastante enraizadas de forma que nenhuma influência negativa possa vir a desvirtuar o que esperamos alcançar lá na frente.


Fernando Christófaro Salgado

sábado, 12 de novembro de 2011

Os outros


Sim, nunca ache que você está imune a qualquer decepção. Coisas podem dar errado, é normal em nossas vidas que elas dêem, mas descobrir fatos inesperados que envolvem você e pessoas em você tinha total confiança não é o melhor dos mundos.
É estranho pensar que enquanto você está sendo totalmente aberto e sincero com alguma pessoa, procurando entender e aceitar sua situação, que ela esteja escondendo tudo de você, literalmente te enganando, e ainda sofrendo por dentro, desnecessariamente.
A verdade, por mais que tardia, sempre vem à tona. Talvez não surja de imediato, e é melhor que seja assim. Talvez ela surja apenas quando estivermos prontos para recebê-la, mas nem sempre temos essa sorte.
Bem, não podemos culpar completamente os outros. Suas motivações podem não ser de todo criticáveis, mas com sentimentos alheios não devemos brincar. Em situações insustentáveis, onde seu pensamento esteja constantemente distante da pessoa que você se relaciona, o melhor mesmo é se afastar o mais depressa possível para não fomentar a decepção futura.
Por mais que achemos conhecer os outros, por mais que tentemos compreendê-los, nunca estaremos emparelhados com seus sentimentos mais íntimos. Nunca poderemos compartilhar verdadeiramente o que se passa em suas cabeças senão através das palavras proferidas por eles, que podem, ou não, serem acompanhadas de sinceridade.
A confiança se constrói com o tempo, entretanto pode ser destruída mais rápido que um suspiro. O que pode ser pior, ser traído em pensamentos e sonhos ou fisicamente? A resposta é extremamente difícil.
Os outros vão ser sempre os outros, mas você pode e deve dominar o que pensa e o que sente. Você tem a obrigação, ao menos, de ser sincero consigo e não sofrer e nem envolver outras pessoas bem intencionadas na busca por seus objetivos improváveis.
Espere seu momento. Todos têm a sua hora e irão clarear seus pensamentos com as verdades que lhes cabem, só não envolva pessoas desnecessariamente em sua caminhada.


Fernando Christófaro Salgado.

sábado, 17 de setembro de 2011

Basta saber


Existem coisas que ainda não podem ser compreendidas por nós. São diversos questionamentos que não podemos responder. Essa situação, por vezes, nos causa certo desconforto e inquietação. Ansiamos por respostas que nos convençam de que tudo tem um motivo de ser.
Pessoas entram e saem de nossas vidas, mas existem algumas que permanecem por mais tempo. São aquelas com que estabelecemos laços mais fortes, difíceis de serem desfeitos por qualquer intempérie.
Mesmo assim, existe uma hora em que temos que dizer adeus e nos separar daquelas que são mais queridas. Esta hora chega de duas maneiras distintas, ambas causando momentos de dor e tristeza, ou elas nos deixam por livre e espontânea vontade, ou por ter chegado o momento de partir para o plano espiritual.
É difícil aceitar que dessas pessoas não teremos mais notícias, não veremos mais seus sorrisos, não poderemos mais abraçá-las e dizer o quanto elas são importantes para nós. Talvez elas tenham partido sem se dar conta disso ou, se deram conta, e não nos valorizaram o quanto que gostaríamos.
Porém, não é difícil nos pegarmos pensando nos motivos que levaram ao rompimento inesperado de relações que nos faziam tão bem, que nos traziam conforto, segurança e que nos instigavam a planejar um futuro diferente, com protagonistas e em lugares e situações imaginadas que beiravam a perfeição.
Talvez nosso maior problema seja justamente este. Acreditamos poder alcançar uma perfeição que, infelizmente, não seremos capazes de atingir. Não por falta da nossa vontade, obviamente queremos que tudo dê certo no convívio com as pessoas que amamos, porém, esquecemos que o que a gente quer nem sempre é o que acontece e nem sempre é o que os outros querem.
Podemos e devemos planejar nosso futuro, tudo que é bem planejado acaba sendo mais fácil de ser executado. Este planejamento, entretanto, deve girar em torno de certas convicções:
1) Sem o apoio da família dificilmente avançamos em qualquer campo da vida, mas um dia nossos pais, irmãos, avós, tios e primos não estarão mais aqui para nos dar o suporte que tanto precisamos ou para presenciar tudo aquilo que gostaríamos.
2) Mesmo nossos amigos mais próximos podem se distanciar de uma hora para outra e deixar de fazer parte de nossas vidas.
3) Pessoas podem ser inesquecíveis, mas não são insubstituíveis. Não existe um único amor. Só nós mesmo que não podemos ser substituídos por ninguém e perder o amor próprio.
Alguma coisa sempre muda, seja pra melhor ou pra pior. Sendo assim, basta saber que com força de vontade, perseverança, fé e humildade somos capazes de nos adaptar e fazer das mudanças a nossa nova realidade.


Fernando Christófaro Salgado.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Faltando


Falta um botão na camisa,
Falta a moldura do quadro,
Falta luz na escuridão,
Falta você ao meu lado

Na sua ausente percepção
Vês o vazio desse coração?
Foi mesmo paixão passageira?
Tu quiseste minha solidão?

Não temos todas as respostas
Perdemo-nos em nossas carências
Deixamos de nos conhecer
Mesmo diante das evidências

Mas as lacunas aparecem na vida
E só podem ser preenchidas assim
Com o tempo fazendo seu papel
Alterando todas as coisas no fim


Fernando Christófaro Salgado.

domingo, 28 de agosto de 2011

Coisas do coração


Não esperava que fosse lembrar. Sabia que tinha lutado por um longo período para esquecer, realmente, havia muito tempo. Acreditava que, enfim, houvesse conseguido. Mas aquela recordação estava lá, enterrada, profundamente, propositalmente e beneficamente escondida nos confins daquele coração que tanto se magoou, que tanto se decepcionou e foi vítima das justificativas mais incoerentes que se pode receber.
É preciso aceitar que existem coisas que são indeléveis, mesmo contra nossa vontade elas hão de nos acompanhar durante toda a nossa existência. O tempo passa, novas experiências e relacionamentos surgem. O novo sobrepõe o velho, mas é incapaz de apagá-lo ou substituí-lo. Assim deve ser e assim é.
Um coração bate, em média, 70 vezes por minuto, mas existem momentos em que ele parece dar uma parada. Existem momentos em que ele parece estar vazio e sentimos um aperto profundo no peito. Geralmente nossos batimentos cardíacos são para nos manter vivos, entretanto, em várias ocasiões, nosso coração também bate para outras pessoas, que são capazes de alterar (acelerar ou desacelerar) o ritmo desses batimentos, de acordo com suas atitudes e palavras.
Quando abrimos a guarda permitindo que outras pessoas tenham o poder de “interferir” em nosso ritmo cardíaco, passamos a ser guiados por um sentimento que foge ao nosso controle, e ficamos suscetíveis às decisões e escolhas das pessoas a quem confidenciamos nosso coração. É um risco necessário e que gostamos de correr, mas nem sempre existe o cuidado esperado com aquilo que compartilhamos.
As lembranças do que passamos um dia, com alguém, nem sempre representam o que gostaríamos. Por vezes podemos acreditar que o melhor mesmo é esquecer, enterrar o passado, mas não adianta tentar se enganar. Cedo ou tarde nos deparamos com aquela antiga foto, com uma carta que não lembrávamos onde estava guardada ou com amigos em comum.
Uma coisa é certa, as marcas deixadas no coração são mais fortes que as memórias que tentamos deixar para trás.


Fernando Christófaro Salgado.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Rejeição


Tá aí uma palavra que traz consigo uma inevitável dor, não existe rejeição que não entristeça o coração dos homens, sejam crianças, jovens ou idosos.
Desde muito novos aprendemos a nos familiarizar com ela. No teste para entrarmos na escola desejada por nossos pais, na hora da formação de times nas aulas de educação física (onde conhecemos a famosa “panelinha”), nas formações de grupos de trabalho da faculdade, sempre existem os que rejeitam e os que são rejeitados, os que “sobram”, e são encaixados em grupos aleatórios para compor uma formação desejada.
A rejeição nos persegue, infelizmente, por toda a vida. Algumas vezes somos rejeitados pela empresa que trabalhamos ou, ainda, pela pessoa com quem estamos nos relacionando. Podemos ser rejeitados pela nossa classe social, cor, credo, depende apenas do lugar em que estamos e com quem estamos convivendo.
Como dito, ser rejeitado é receber um baque, ter a auto-estima totalmente diminuída e as expectativas todas frustradas. Este sentimento momentâneo é inevitável, mas ele não deve passar disso. Apenas sentimento momentâneo, afinal, com o tempo, devemos adquirir uma blindagem natural contra toda a forma de rejeição.
Nunca nos abatermos por longos períodos. Levantar a cabeça e aprender a nos valorizar cada vez mais, empenhando para melhorarmos em todos os sentidos, estes são os reais motivos de sermos tantas vezes rejeitados.


Fernando Christófaro Salgado.

domingo, 14 de agosto de 2011

Labirintos


Tudo na vida tem um começo e um fim, o que varia é o tempo que demoramos a atingir o desfecho de cada caminhada que nos propomos a realizar ou os caminhos que estamos destinados a trilhar. Durante este percurso é muito fácil nos vermos perdidos, como se estivéssemos em um complexo labirinto, sem saber qual direção devemos seguir.
Por vezes nos abatemos por um sentimento de que somos incapazes de encontrar o caminho correto, isto nos obscurece o pensamento e nos impede de agir de forma sensata, nos deixando paralisados diante das infinitas possibilidades que podemos escolher.
É um paradigma, quem tem muitas escolhas acaba por escolher o mais óbvio e mais cômodo, em vez de se aventurar correndo novos riscos, enveredando na direção de novos desafios.
O medo de errar ou de se arrepender pode fazer com que as pessoas não prolonguem por muito tempo a sua estadia nos labirintos que adentram. É como se elas resolvessem desistir de ver onde vai dar o final e impusessem um fim prematuro à situação, derrubando bruscamente, de uma só vez, todas as paredes e vielas que ainda seriam necessárias para que se desvendasse o mistério de alcançar o final, é bem mais cômodo desistir de prosseguir.
Ir e voltar, errar, tentar de novo, errar de novo, seguir tentando, errar novamente, começar outra vez, quantas vezes não somos obrigados a fazer isto? Não há do que reclamar e muito menos pensar em desistir! Nunca é demais lembrar que errar também é aprender, talvez a melhor forma de aprendizado, pois temos, estranhamente, mais facilidade de guardar na memória os desapontamentos sofridos.
O quanto seria melhor se não sofrêssemos? Porém, são estes reveses da vida que contribuem mais significativamente para nosso crescimento, para nos tornar pessoas mais maduras e fortes.
Não abdiquemos de nossos desafios, por mais difíceis, cansativos, repetitivos ou demorados que eles sejam. Chegar ao final de uma jornada, fechando um ciclo de vida, é sempre uma vitória, prazerosa ou não, mas não deixa de ser uma vitória.


Fernando Christófaro Salgado.